O que eu achava que precisava para ser nômade (e o que realmente precisei)
Um resumo das minhas expectativas versus a realidade da vida nômade
Manuela M.
6/18/20264 min read


Já faz quase 3 anos que vivo como nômade digital ao lado do meu marido. Depois de tantos países, mudanças de planos e aprendizados pelo caminho, sinto que finalmente tenho propriedade para falar sobre esse assunto.
Mas não pense que decidimos largar tudo de uma hora para outra e embarcar em uma viagem sem volta para a Ásia.
Tudo o que vivemos hoje foi resultado de um processo longo, cheio de pesquisa, planejamento e algumas boas doses de coragem.
O sonho de viajar o mundo parecia impossível
Viajar o mundo sempre foi um sonho para mim.
Desde criança eu me imaginava conhecendo lugares diferentes, mergulhando em culturas completamente novas e vivendo experiências fora da minha realidade.
O problema é que eu acreditava que esse sonho era impossível.
Na minha cabeça, viajar o mundo significava morar em hotéis caros, pegar voos o tempo todo e gastar uma quantidade absurda de dinheiro. Como isso não fazia parte da minha realidade financeira, acabei colocando esse sonho numa gaveta e seguindo a vida.
Mas a verdade é que o meu sonho nunca teve relação com hotéis ou luxo.
Eu só queria conhecer pessoas diferentes, ouvir outras histórias, experimentar novos sabores e descobrir como era a vida em lugares que pareciam tão distantes da minha realidade.
Como a pandemia mudou tudo
Foi durante a pandemia que esse sonho voltou com força.
Como muita gente, eu comecei a questionar várias coisas sobre a minha vida.
A sensação de que o tempo estava passando me fez refletir: se eu realmente queria viver essa experiência, em que momento eu iria tentar?
Comecei a acompanhar criadores de conteúdo que viviam viajando pelo mundo e algo me chamou a atenção.
Muitos deles vieram de realidades parecidas — ou até mais desafiadoras — do que a minha.
Foi aí que pensei:
"Se eles conseguiram, talvez eu consiga também."
Então comecei a estudar.
E foi durante esse processo que descobri algo importante: existiam formas de viajar muito mais acessíveis do que eu imaginava.
(Vou falar mais sobre isso em outro post.)
O que eu achei que precisava
No começo, eu acreditava que precisava de muito dinheiro.
Achava que precisava de equipamentos especiais, roteiros detalhados e um planejamento perfeito.
Cheguei ao ponto de começar a viajar carregando uma garrafa capaz de filtrar água de rios porque tinha certeza de que em algum momento ficaria sem acesso a água potável.
Spoiler: nunca precisei usar.
Com o tempo, percebi que muita coisa que eu considerava essencial não era tão importante assim.
Você não precisa de uma fortuna para começar.
Não precisa se hospedar apenas em hotéis.
Não precisa ter todos os países planejados com anos de antecedência.
E definitivamente não precisa ter todas as respostas.
Afinal, se tem uma coisa que aprendi vivendo na estrada é que os planos mudam o tempo todo.
Então, o que você realmente precisa?
1. Coragem
Essa é, sem dúvida, a parte mais importante.
Não adianta sonhar se você não tem coragem para dar o primeiro passo.
No meu caso, esse primeiro passo aconteceu quando comecei a contar para as pessoas que me tornaria nômade digital em dois anos.
Parece simples, mas assumir esse compromisso publicamente tornou o sonho muito mais real.
Depois veio a passagem só de ida para a Tailândia.
Quando existe uma data marcada, fica muito mais difícil continuar adiando.
2. Um plano inicial
Você não precisa planejar os próximos cinco anos.
Mas precisa saber por onde vai começar.
Qual será seu primeiro destino?
Como você pretende se sustentar?
Por que você quer viver essa experiência?
Ter clareza sobre a sua motivação faz toda a diferença, principalmente nos momentos em que surgem dúvidas ou dificuldades.
3. Um passaporte e pesquisa
Parece óbvio, mas vale lembrar.
Antes de viajar, sempre pesquise os requisitos de entrada dos países que pretende visitar.
Verifique regras de visto, exigências de imigração, comprovantes financeiros e qualquer documentação necessária.
Você não quer descobrir essas informações quando já estiver no aeroporto.
4. Uma mochila ou uma mala
Aqui não existe resposta certa.
Tudo depende do seu estilo de viagem.
Eu, particularmente, recomendo um mochilão para quem pretende viajar de forma mais econômica.
Depois de subir escadas carregando bagagem em dezenas de hospedagens sem elevador, você entende rapidamente as vantagens dele.
5. Aprender a criar uma rotina
Esse é um ponto que pouca gente fala.
Quando pensamos na vida nômade, imaginamos liberdade, praias paradisíacas e lugares incríveis.
Mas ninguém fala sobre a importância da rotina.
Depois de quase três anos viajando, ainda sinto que estou aprendendo a construir uma rotina saudável e consistente enquanto me movimento pelo mundo.
E, honestamente, acredito que essa habilidade é uma das mais importantes para quem pretende viver viajando por longos períodos.
Talvez eu faça um post inteiro falando sobre isso.
Vale a pena se tornar nômade digital?
Para mim, valeu.
Não porque a vida nômade seja uma vida perfeita.
Mas porque ela me permitiu viver experiências que eu sempre sonhei e jamais teria vivido se tivesse esperado o momento ideal.
A verdade é que o momento perfeito provavelmente nunca vai chegar.
Se você tem um sonho, você vai precisar reunir coragem e confiar em si mesmo, sem depender das circunstâncias.
E foi exatamente isso que fizemos em lá 2023.
Você tem alguma dúvida sobre o estilo de vida nômade? Dá uma olhada no nosso Instagram e Youtube onde falamos sobre o nosso estilo de vida!
